Não há como vir a este lugar e não lembrar de toda nossa história, eu consigo reviver tudo dentro de mim...

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quinta-feira, outubro 06, 2011

Abracadabra.



A última palavra era dela. E toda a felicidade do mundo se fez. 
Os olhos se encheram de lume, capazes de espantar qualquer solidão. 
Porque ela tinha muito amor no peito e um punhado de esperança em cápsulas,
 para serem tomadas em doses exageradas, 
quando o estado da doença do desalento fosse terminal. 
Confiava no Senhor-Deus-Tempo, o remediador das feridas mais fundas.
 Abria a janela pra que a luz do sol entrasse e 
levasse embora os dias e mais dias de angústia. 
Ouvia Chico, Caetano, Bethânia e sorria. 
Achava graça nas coisas mais simples da vida. 
Andava de mãos dadas, corria na chuva, 
plantava girassol e olhava pro céu cheio de estrelas. 
Agradecia a Deus por estar ali e ser ela mesma.
Quando deu por si, não havia motivos pra queixas: 
porque tinha amigos, porque tinha pai, mãe, tinha casa e comida. 
Ela tinha amor de sobra também. 
E resolveu que, daquele dia em diante, ela iria sorrir pra sempre. 
E que iria amar mais também, mais e melhor. 
Que iria perdoar rápido, tocar muitas vidas com as mãos.
 Iria usar um manto de orações bonitas como proteção. 
E falar palavras boas e rimar amor com qualquer outra coisa que não fosse dor.

Ela está decidida, daqui pra frente, só andar rodeada por gente do bem.
 Praquelas que não sabem brincar de VERDADE, 
ela tem vários amuletos e uma oração poderosíssima. 
Ela quer o mal fora dela e mais amor pra recompensar. 
Ela quer sorrisos preenchendo os lugares. 
Ela quer botar o FIM no seu devido lugar. 
Ela quer uma história toda-dela, que começa agora, 
depois desse ponto final.

[Cris Carvalho]

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